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Vida de professor, vida de missionário         

A visão do Reino de Deus e a certeza de que a criança é um cidadão dos céus e agente transformador do mundo faz a diferença na sala de aula.

Juliana levanta todos os dias às seis horas da manhã, se arruma para a jornada de trabalho e acorda os três filhos: Verusca (10), Lucas (6) e Samuel (3). Serve o café para eles e seu marido, deixa os mais velhos na casa da sua mãe e segue com o caçula para a Associação Nazarena Assistencial, BR-172 (Campinas,SP), onde dá aula de educação cristã. Vai de carro, o trajeto dura meia hora. “De ônibus, uma hora e meia”, relata com o conhecimento de quem já fez essa viagem várias vezes. Mas para ela, que recebeu críticas ao decidir sair de um emprego para dedicar-se às aulas ganhando a metade do salário, o fato do Projeto ser perto ou longe de casa não é obstáculo, pois ama o que faz.

São três aulas iguais de 50 minutos cada para três turmas diferentes do CPV I e II. A aula começa com uma oração e um cântico. Tem um versículo escrito na lousa – “A batalha é do Senhor” (1 Samuel 17:47) e Juliana ajuda as crianças a decorar sem que elas percebam: pede para repetirem várias vezes, todas juntas. Depois, só para as meninas repetirem e em seguida, só os meninos. Ela apaga uma das palavras do versículo, deixando-o incompleto, e pergunta: “E agora, vocês sabem falar o versículo inteiro?” As crianças respondem. Um aluno diz: “está fácil! Apaga mais uma palavra!” Juliana repete o processo até o versículo inteiro ser apagado e pergunta, com voz de quem “esqueceu”, qual era o versículo que estava escrito na lousa. Desafiadas, as crianças dizem o versículo e a referência em voz alta. Juliana sorri contente, pois a primeira etapa para guardar a palavra no coração estava feita. Agora, ela iniciaria a explicação do versículo.

Utilizando o flanelógrafo, ela conta uma das mais famosas histórias bíblicas, Davi e Golias. Para o CPV I, utiliza dois fantoches, “Paçoca e Gabriel”. Para o CPV II, chama o menor e o maior aluno para a frente para representar Davi e Golias. Juliana sabe que essa turma não gosta muito de fantoche.

Quando colocou a figura de Davi no flanelógrafo dizendo que ele tinha ido levar “lanche” para seus irmãos em batalha, um aluno sentiu falta da figura de um “lanche” e perguntou:

     - Onde está o lanche, tia?

     - Eles já comeram – respondeu rapidamente, prosseguindo a aula.

Juliana não despreza nem ri das perguntas inocentes, mas responde com amor e respeita as opiniões e expressões próprias da idade. “Tenho certeza de que Deus me chamou para este trabalho”, afirma. Terminada a explicação bíblica, aplica na vida das crianças a história do menino contra o gigante: “Hoje você pode estar com um problema muito grande..., mas a batalha é do Senhor.” Aproveitando o texto, a professora explica para as crianças o plano da salvação. A tarefa de gravar no coração dos pequeninos a palavra de Deus apenas começou. Os frutos dependem de um trabalho contínuo de ensino, do relacionamento da criança com Deus e da ação do Espírito Santo.  

Depois da última aula da manhã, Juliana encaminha as crianças para o refeitório. Às vezes, precisa separar uma ou outra briga entre os alunos. Mesmo brava, ainda se mostra amorosa. A voz rouca é um dos traços de quem se dedica ao ensino. “Meu sonho era trabalhar com as crianças aqui no Projeto”, revela. Sozinha, enquanto as crianças almoçam, volta para a classe para varrer o chão e preparar os materiais para as próximas três turmas da tarde. As aulas serão as mesmas. Para uma turma, ela vai chamar dois alunos à frente para representar Davi e Golias. Para a outra, vai usar os fantoches, sempre respeitando a opinião e gosto das crianças. A professora Juliana conta que é gratificante testemunhar a oração respondida de uma criança e vê-la entregar o coração a Jesus. Também é comovente ver o esforço dos pequeninos em entender os cartazes durante o processo de alfabetização.

Depois do expediente, Juliana segue para a casa para cumprir outra jornada: mãe e esposa. Ela faz o jantar, dá atenção para o marido e para seus filhos. Brinca com as crianças, ensina, ajuda nas lições. No dia seguinte, acorda às seis horas da manhã, se arruma para a jornada de trabalho, acorda os três filhos, serve café para a família e segue para o Projeto. Ela vê as crianças como Jesus as vê, potenciais em formação, cidadãos do Reino. Juliana entra na sala e um novo dia começa... 

                          

“Professor”, “tia/tio”, “dona”

Seja pelo nome ou por um “apelido”, a importância do professor é inegável. Depois da família, são vocês que instruem e influenciam a vida das crianças. Ser professor é exercitar um dom dado por Deus. A Compassion do Brasil agradece a você, professor, educador, missionário, por sua vocação, ministério e paixão pelo trabalho. Sua vida pode influenciar vidas. Sua vida pode quebrar o ciclo da pobreza em nome de Jesus. 

 

 


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EXPEDIENTE
Compassion Brasil é uma publicação trimestral da Compassion do Brasil
Diretora Nacional. Susete Cardoso
Redação e edição: Ana Rafaela dos Santos
Fotos: Arquivo Compassion do Brasil
Jornalista responsável: Tania Mara Mendes MTB 31.525

 

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