A trajetória de Rogério,
músico de sucesso, que teve todos seus sonhos de menino realizados.
E o primeiro deles era estar entre as crianças do Projeto
Antes de enviar para a Revista da Compassion
a história de sucesso de Rogério Sousa, ex-aluno do
Projeto BR-182, Centro Evangélico de Apoio ao Menor, em Fortaleza,
CE, o pastor Paulo da Costa, amigo, conselheiro e companheiro de caminhada
de Rogério, resolveu ler para ele as respostas que tinha dado
à pauta de entrevista. Não passaram trinta segundos
de leitura e Rogério, ouvindo a sua própria história
do ponto de vista de quem o acompanhou desde pequeno, começou
a chorar. “Toda humilhação que passei, Deus reverteu
em bênçãos”, contou, emocionado.
A história de Rogério tem um início comum a muitas
crianças no Brasil: órfão de pai aos dois anos,
cresceu vendo sua mãe trabalhar duro como empregada doméstica
para sustentar os dois filhos na pequena casa de barro e chão
de areia, enquanto seu padrasto gastava com bebida o pouco dinheiro
que entrava.
Aos nove anos, nunca tinha frequentado uma escola –
sua responsabilidade era ficar em casa, cuidando de seus irmãos
mais novos. A seriedade no serviço, despontada com tão
pouca idade, recebeu honras do Senhor. Nessa época, não
imaginava que se tornaria um músico de excelência, um
pastor e também seria Delegado Especial dos Direitos Humanos,
sua mais recente conquista.
Para que isso acontecesse, Deus colocou no seu caminho pessoas dedicadas
e especiais, o pastor Marcos foi uma delas. “Conheci Rogério
quando ele chegou na calçada do Projeto, pedindo que eu o deixasse
chegar perto do carro e eu deixei. Ele ficou lá, encostado.
Era muito magrinho.No dia seguinte, apareceu novamente: dessa vez
queria lavar o carro. Quando ouviu a resposta positiva, vi em seu
rosto um sorriso largo se abrindo. Era a felicidade de um menino carente
de carinho. Eu ia lhe dar uma gorjeta, mas ele rejeitou. Queria apenas
lavar o carro do pastor”.
Durante algum tempo, Rogério repetiu o “ritual”
de lavar o carro. A cada dia se aproximava mais do Projeto, até
que, finalmente, estava sentado à mesa, comendo com as outras
crianças: seu primeiro sonho estava realizado. O segundo sonho
era ser apadrinhado. A iniciativa de registrar Rogério no programa
da Compassion partiu do pastor Marcos: “Ele estava
quase na idade limite de inscrição. Esforcei-me ao máximo
para cadastrar aquele menino corajoso e insistente”.
O impacto com a verdade da Palavra de Deus veio logo
na primeira semana no Projeto, quando foi para a Igreja pela primeira
vez e ouviu a “tia” Edileuza, esposa do pastor Marcos,
falando sobre Provérbios 14.12 (Há caminhos que ao homem
parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte): “Nunca
esqueci aquelas palavras”, lembra-se o músico. Dois anos
mais tarde, Rogério foi batizado na Igreja Batista em Edson
Queiroz.
Também foi no Projeto que conheceu o instrumento
que iria mudar o rumo da sua vida – o violão. Os primeiros
acordes do menino-sonhador foram ensinados por Maria Aparecida Monteiro,
coordenadora do Projeto. “Passei as noções básicas
que eu tinha”, afirma Maria.
Na época, ela era professora de flauta doce mas, vendo os sonhos
estampados no rosto de Rogério aceitou o desafio. “As
recordações mais marcantes que tenho dele eram o entusiasmo
e alegria a cada nota que descobria”. Os frutos dessa alegria
e entusiasmo se estenderam às outras crianças e é
por causa dele que hoje o Projeto tem uma turma de violão.
Para o pastor Marcos, ver que o menino carente que pedia
para lavar seu carro como desculpa para estar perto das crianças
do Projeto, é hoje um homem com família, pastor e músico
reconhecido, é motivo de gratidão a Deus - a realização
de um sonho. “Rogério foi meu companheiro nos cultos
públicos que realizávamos nas ruas da comunidade onde
estão a Igreja e o Projeto. Ele fazia questão de ficar
ao meu lado, apoiando o violão para que eu pudesse tocar. Depois,
enquanto eu lia a Bíblia, ele segurava o violão, como
que dizendo ‘Um dia farei isso que o meu pastor faz’.
E agora ele o faz, com mais técnica e mais brilho!”.
Hoje, Rogério é produtor e arranjador
musical – estudou técnica vocal e violão popular
no Conservatório Alberto Nepomuceno – e se dedicou ao
seminário, formando-se pastor. Ele lidera o Ministério
Chamar de Louvor e Adoração, tem CD gravado, compõe
músicas e edifica a vida de milhares de pessoas por meio da
sua própria história. A inspiração para
a arte vem da sua caminhada com o Senhor. A voz não esconde
o coração agradecido: “Não consigo sentar
e compor se não estiver conectado com Deus”.
Rogério tem 32 anos, é casado, tem um
filho, uma vida estável e está liberto da pobreza em
todas as suas formas. Embora seja um homem feito, o menino-sonhador
ainda vive: “Meu sonho é ser influência para a
minha geração”. A gratidão transborda:
“As pessoas não acreditavam em mim quando eu falava que
iria ser músico, mas a tia Cida sempre sonhou os meus sonhos
e é por isso que dedico a ela, ao pastor Marcos e à
minha querida mãe, dona Rosa, as vitórias alcançadas”.
Rogério não sabia, mas ele é exatamente o que
o pastor Marcos leu em seus olhos quando o menino-sonhador o acompanhava
nos cultos de praça pública.