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Histórias de Sucesso

Apadrinhamento:

Uma verdadeira bênção para Lucivânia

Imagine crescer em uma cidade com 1200 habitantes e de repente se encontrar mergulhada em uma metrópole com 3,3 milhões? Um pouco assustador não é? Mas isso não assustou Lucivânia, pelo menos, não muito.

Nascida em uma pequena cidade do nordeste do Brasil, Lucivânia é a primeira em sua família a viver uma situação que seus pais jamais poderiam imaginar. Eis sua história.

“Nasci em Aracati no Estado do Ceará, mas cresci em Boqueirão do Cesário, uma pequena vila, muito pobre da região, a 150 km de Fortaleza, a capital. Em um contexto rural, meu pai trabalhou como carregador de caminhão e minha mãe era dona de casa. Meus pais, seis irmãos e eu dividíamos um pequeno barraco feito de madeira. Passamos por muitos momentos difíceis, principalmente quando não tínhamos o suficiente para comer. Mas, apesar disso, sempre fomos uma família unida. Aos dois anos, meus pais descobriram que eu tinha sopro no coração e fui acompanhada por um médico durante três meses. Apesar disso, tenho vivido normalmente. A única coisa que eu não podia fazer era correr ou carregar coisas muito pesadas.

O Projeto foi para mim uma verdadeira bênção. Comecei a participar do Projeto com 4 anos e logo fui apadrinhada por um casal francês. Durante 14 anos, estive ali, dia após dia e gostei muito de todas as atividades. Durante os anos que passei no Projeto Betesta de Boqueirão Cesário - BR-230, minha família foi abençoada e sua situação financeira foi melhorando. Meus padrinhos ajudavam em meu tratamento médico e no transporte para a Fortaleza, a fim de ir às consultas médicas.

O apadrinhamento possibilitou o pagamento de exames médicos e despesas adicionais, oferecendo-nos também ajuda na área espiritual.

Os monitores do Projeto também fizeram parte da minha vida, pois eram muito atenciosos. Tudo era especial: as refeições, os cursos bíblicos, as salas de informática, os amigos, etc. O Projeto oferecia muitas atividades e a minha favorita era o curso de dança, mas precisei parar por causa do meu coração. As cartas vindas dos padrinhos eram especiais e isso, foi o que mais me emocionou ali. Guardo todas as cartas até hoje, elas são meu pequeno tesouro. Meus padrinhos fazem parte da minha família. Eles me incentivaram, oravam por mim e me cercavam de carinho. Eles compartilhavam um pouco de seu dia-a-dia, contavam sobre o que gostavam de fazer, suas viagens, as atividades em família, etc. As cartas nos permitiam manter uma boa comunicação - eles respondiam a cada uma das minhas perguntas. Também enviavam presentes: uma vez eles enviaram dinheiro e minha mãe pôde comprar um colchão que eu tenho ainda hoje. Aprendi a amar meus padrinhos, mesmo que pareça um pouco estranho gostar de pessoas que nunca encontrei, é a pura verdade! É maravilhoso saber que alguém que vive em outro país demonstrou amor e acreditou em mim como eles fizeram. Eles me fazem muita falta. Agora que já graduei, eles não são mais meus padrinhos, mas permanecerão para sempre em meu coração porque fizeram diferença em minha vida”.

Lucivânia não vive mais com seus pais. Ela mudou para Fortaleza, cerca de duas horas de Boqueirão. Sua prima a convidou para trabalhar como cabeleireira em um salão, agora ela mora na casa de sua tia. Trabalha durante o dia e, até 2006, freqüentava a escola à noite. “Quando parti, tive um pouco de medo da cidade grande onde tudo é diferente. Meus pais e minha família não estão mais comigo, pois moram em Boqueirão, e me fazem falta. Mas agora me adaptei e gosto da vida em Fortaleza. Tenho aprendido muitas coisas. É bom viver em uma cidade grande. Terminei o ensino médio em dezembro de 2006 e espero continuar estudando em algum curso na área de beleza. Quero me aperfeiçoar e me especializar em um trabalho realmente interessante”.

Lucivânia fala com freqüência que seus anos de apadrinhamento no Projeto mudaram sua vida, porque antes era muito tímida, mas lá, aprendeu a trabalhar em grupo e a se comunicar. Até a situação da família melhorou e hoje, seus pais moram em uma casa própria, construída com tijolos. Ela visita seus pais uma vez por mês e aproveita para ir ao Projeto. Ela tem um sonho que talvez algum dia se torne realidade: “Gostaria muito de ser monitora no Projeto para compartilhar com as crianças tudo que aprendi. Infelizmente não tenho tempo no momento, mas espero que um dia isso seja possível. Estudo e trabalho duro porque preciso preparar-me para o futuro. O Programa da Compassion me ensinou a fazer grandes projetos para minha vida e a ser persistente, a fim de realizá-los”.

Lucivânia tem 18 anos e os princípios cristãos que aprendeu têm influenciado suas escolhas. Ela tem uma porta aberta para o futuro e sabe que seus padrinhos tiveram um papel importante nisso. Com lágrimas nos olhos ela conclui: “Agradeço a Deus por meus padrinhos. Agradeço por tudo que fizeram por mim e por minha família e tudo que eles me enviaram: cartas, fotos, os cartões e os presentes: sentirei para sempre esse amor. Ter um padrinho ou uma madrinha pode realmente mudar a vida de uma criança”. O apadrinhamento é um investimento a longo prazo. O importante é ver que Deus liberta as crianças da pobreza em todas as suas formas.


Lucivânia da Silva Nascimento
BR-230

 

 

 

 

Guardo todas as cartas até hoje, elas são meu pequeno tesouro.

 

 



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