Como Átila superou a tristeza em
Jesus
Francisco Átila Silva Sá é um jovem
de apenas 16 anos mas com a maturidade de um adulto. Nascido em Fortaleza,
ele começou a freqüentar aos quatro anos o Projeto BR-310
– Escola Emanuel J. Henrique. Quando chegou ao Projeto, ele
era uma criança tímida e com poucos amigos.
Vindo de uma família que passava por problemas, o jovem comenta
que não gostava do ambiente familiar – seu pai bebia,
seus pais brigavam muito e ele acabou se tornando uma criança
fechada por muito tempo: “Eu não tinha amigos, não
me dava bem com meu irmão mais novo, não gostava da
minha casa, fui me isolando. Tudo isso mudou muito desde que aceitei
Jesus”.
Foi no Projeto que o jovem começou a sentir o amor de Deus,
por intermédio do exemplo de vida de sua madrinha: “No
mesmo ano fui apadrinhado pela família Winters, da Inglaterra.
Eles são cristãos e escreviam com freqüência.
São pessoas maravilhosas, bem humoradas e muito preocupadas
comigo. Eu agradeço a Deus por suas vidas e pelo cuidado especial
que tiveram comigo”.
Entre as várias atividades desenvolvidas no Projeto, o teatro
chamou sua atenção, mas nem sempre foi assim. Quando
o curso começou, ele se inscreveu, mas durante as aulas não
gostou da escolha. Sua timidez “atrapalhava” e ele não
se sentia à vontade para participar dos exercícios pedidos
pelo professor: “Fiquei ainda um mês, mas acabei desistindo”.
Mesmo com sua desistência, o grupo foi crescendo e na Páscoa
eles se preparavam para encenar a Paixão de Cristo: “Eu
fiquei com vontade de participar e acabei me inscrevendo. Quando passei
no teste para fazer Judas Iscariotes, nem acreditei! Foi uma oportunidade
maravilhosa”, afirma Átila.
O sucesso do grupo foi tanto que na semana seguinte foi criado o
Grupo de Teatro Sunset e Átila teve a oportunidade de participar
de outra peça, “O Brasil de João e Maria”,
que foi apresentada no SESC Emiliano Queiroz e, mais uma vez, o jovem
teve a oportunidade de encenar um vilão, o rei de Portugal.
Hoje, Átila não participa dos ensaios porque entrou
no programa jovem aprendiz e começou a trabalhar, mas sempre
que tem um tempo procura visitar o grupo e ainda sonha em poder participar
novamente desse projeto.
Átila é um jovem inteligente e sabe que algumas de
suas escolhas foram ruins para a sua vida: “Eu me fiz passar
por um monte de coisas chatas, não interagia muito com as pessoas
da minha idade, não tinha amigos e, por ficar sozinho, acabei
depressivo; vivia no meu mundo de solidão. Eu amava minha própria
tristeza”.
O que impressiona nele é a sua lucidez: “Eu vivia apático,
restrito ao meu mundo e não permitia que ninguém entrasse
nele. Aos 12 anos, passei a furtar dinheiro da minha mãe para
jogar videogame. Era mais uma maneira de me afastar do mundo e das
pessoas. Tudo isso me tornou uma pessoa ansiosa, isolada, excessivamente
introspectiva e infeliz”.
Numa conversa franca com a professora de Artes Rubenita Simões,
ela disse ao jovem que ele não estava bem e que era o único
“responsável” pelo que estava acontecendo: “Hoje
eu agradeço pelas palavras severas, porém verdadeiras,
que me fizeram acordar e ver que ela tinha razão”.
Aos poucos o jovem começou a interagir com outras pessoas,
conseguiu o apoio da ‘tia’ Evani, diretora do Projeto,
que o ajudou a pagar um curso de inglês e também o encaminhou
para acompanhamento psicológico. Hoje, ele consegue ver a transformação
que houve em sua vida e sabe que Jesus foi o seu libertador: “Jesus
colocou no meu caminho pessoas que não desistiram de mim e
que me fizeram ser uma pessoa melhor”.
Segundo Átila, hoje ele se sente uma pessoa diferente e melhor:
“Tenho muitos amigos, tornei-me líder dos jovens da minha
igreja, estou trabalhando numa empresa maravilhosa e penso no futuro
estudar Serviço Social”.
Sua lista de agradecimentos é extensa: “Sou grato ao
Projeto e à Compassion que foram uma luz em minha vida e, principalmente,
a todos que me ‘aborreceram’ quando fecharam seus ouvidos
às minhas palavras, quando eu repetia que queria pedir o meu
desligamento. Também agradeço àqueles que acreditaram
em mim, mesmo quando eu próprio não acreditava. Peço
desculpas por demorar tanto tempo para mudar”.
Por último, a respeito do pastor Ricardo Teixeira, ele declara:
“Foi ele que me mostrou o Caminho e a Verdade. Minha vida acaba
de começar e sei que tenho muito que viver, fazer, sentir,
chorar, mas eu sei que vou passar por todas as situações
e que jamais estarei sozinho”.